Discurso Paraninfo de Biológicas – Formandos de 2012

Caros Alunos,

Foi com imensa satisfação que recebemos o convite para sermos o paraninfo das turmas de biológicas do Colégio Bandeirantes de 2012. Logo, lembrei-me de um dos saraus promovidos pela lusófona prof.a Susana , homenageando o poeta Calos Drummond de Andrade e do último dia de aula quando lemos uma poesia escrita pelo aluno Ilan Wajsfeld .

“Vai, Carlos! ser gauche (acanhado da esquerda) na vida.”

Foi a chamada para o sarau.

“Memória” Carlos Drummond de Andrade

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Ler um poema, para mim é fazer inferências, tirar uma conclusão lógica de cada verso, onde o poeta deixa ideias implícitas e induz nosso pensamento ao que sentimos dentro de cada verso.

isto é
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Inferindo: seria o amor que só brota após a perda, o afastamento, o distanciamento… Amamos o que é conquistado por isso amamos esse momento, mas amamos ainda mais aquilo que queremos conquistar, porque é um sonho que não se desvalorizou na realidade no dia a dia.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

– Esqueceremos esse momento?
– Não!

O apelo do esquecimento existe no tempo que vai passar, mas o apelo do não esquecer é algo contra o qual nada pode o olvido. É impossível olvidar. É impossível esquecer esse momento, porque ele tem muito sentido.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Os momentos que passamos juntos são coisas tangíveis e se tornarão insensíveis no tempo, mas é impossível olvidar.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

É uma estrofe perfeita, em todos os sentidos, para esse momento. As coisas findas, concluídas e realizadas ficarão porque se cristalizaram.

Ouçam agora…
Despeço-me dessa rotina
Que me encontro há três anos.
Desse pedaço de vida,
Que juntos passamos.
É o amor que brota no afastamento
Mas o bem que fizemos
É algo forte e duradouro.

Assim agradeço
Por esses anos que valeram ouro.
É o sentimento tangível que se torna insensível
Nunca os esquecerei
E estarei sempre com vocês
Pro que der e vier.

É a coisa finda que mais que linda fica em nossa memória.
Ilan Wajsfeld escreveu, eu inferi e nós não olvidaremos.

Obrigado.

Juvenal Carlos Schalch

 

Ilmos Srs. Componentes da mesa e pais,
Queridos alunos,

“Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena”, já dizia Fernando Pessoa.

Tudo vale a pena… vale a pena viver esse momento, seja ele qual for…. vale a pena curtir o lugar onde estou, seja ele como for, onde for… vale a pena estar na posição que estou seja ela qual for… médico, engenheiro, professor…

Fiquei pensando no que vocês gostariam de ouvir nessa noite. Pergunta daqui, pergunta dali e uma amiga querida me disse: “na minha colação de grau, gostaria de ter ouvido que não deveríamos ter medo de errar nas nossas escolhas. Que essas escolhas não precisam ser definitivas”. HUM!! Então, uma aluna linda me falou: conta uma história. Juntando essas duas colocações cheguei a conclusão que a minha própria história servia como uma luva.

Ao lembrar de mim mesma ao sair do 3º ano, percebi o quanto a dúvida do que vamos “ser” na vida é verdadeira e comum. Afinal, esse é um momento decisivo nas nossas vidas e por isso gera muita incerteza até mesmo para aqueles que já decidiram o caminho a seguir.

Até aqui, vocês foram guiados. A Educação infantil, o ensino fundamental, o ensino médio. Todas essas etapas não foram suas escolhas. Tinha que ser assim e ponto. Mas, a partir de agora e cada dia mais, vocês segurarão as rédeas das suas próprias vidas. A escolha será de vocês. E aí a coisa pega: O que vou fazer? Será que é isso mesmo que quero ser na vida? Será esse o meu caminho?

Essa liberdade de escolha, muitas vezes, causa insegurança. Volto a lembrar de mim. Meus pais nos deram, a mim e à minha irmã, total liberdade de escolha. No entanto, enquanto minha irmã já tinha convicção que queria ser dentista, eu que até os 16 queria ser arquiteta, aos 17 me encontrava numa encruzilhada, ou melhor, em pleno Arco do Triunfo, com avenidas saindo prá tudo quanto é lado e nas mais diversas direções. Arquitetura, geologia, geografia, desenho industrial, turismo, educação física, jornalismo…..Prestei todas!

Plena época de crise do petróleo, a concorrência era grande e, por sorte, hoje eu sei, só não entrei em geologia. Mas sobravam muitas outras opções. O que fazer? “Quem dá prá muita coisa, não dá prá nada”, dizia a adorada Tia Ló. Como assim, então não serei boa em nada, não vou ser ninguém na vida??? Foi aí que decidi seguir minha intuição e escolher com o coração: Quero ser professora! E lá fui eu…

Hoje, eu que cheguei tão em duvida no meu vestibular, agradeço ter me deixado guiar pelo coração, agradeço a liberdade insegura que meus pais deram, porque entre tantas opções, escolhi aquela que me realiza e me estimula a dar o máximo de mim mesma a cada dia. Faço o que faço porque gosto e busco fazer cada vez melhor. Ter sido escolhida paraninfa por vocês, além de me encher de orgulho me dá, mais uma vez, a certeza da minha escolha.

Mas, também me dá licença de dizer: escolham com o seu coração. Deixem-se guiar pela sua intuição e, principalmente, façam o que for, façam com amor. E se algum dia decidirem que é hora de mudar, não tenham medo. Mudem! Recomecem! Não temam errar. Nada é para sempre, nada é definitivo. E tudo que vivemos faz parte da nossa história e nos enriquece. Nada é jogado fora, nada é tempo perdido.

Lembrem-se, TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO É PEQUENA. QUEM QUER PASSAR ALÉM DO BOJADOR (O TÃO TEMIDO CABO DA ÁFRICA) TEM QUE PASSAR ALÉM DA DOR, diz outra parte desse mesmo poema.

Mas, vocês já sabem o que é passar além da dor e hoje descobrem o prazer de ir além do Bojador. É só lembrar da história de vocês nesses últimos anos.
Acordavam de madrugada e sem muita vontade, lá iam vocês para o Band. Quantas vezes vocês não reclamaram, choraram, mal disseram as listas e mais listas de exercícios, as infindáveis provas, as manhãs e tardes dedicadas? Quantas vezes não pensaram: o que estou fazendo aqui?
Agora, quero que olhem para os seus colegas, quero que olhem para vocês mesmos e perguntem: VALEU A PENA? Tenho certeza que algo dentro de cada um de vocês tá gritando orgulhosamente: SIM, VALEU A PENA! Afinal, a alma de vocês, definitivamente não é pequena. Basta olhar para o seus olhos, cheios de alegria, seus rostos sempre iluminados, para sentir o quanto querem da vida. Mantenham esse ardor. Enxerguem em tudo e em todos, oportunidades de crescimento e aprendizagem. Orgulhem-se do que fazem, por que o fazem com o coração e dedicação. Sejam generosos, façam bem e para o bem. É isso que faz a vida valer a pena. Todo o resto é consequência.
Sejam felizes! Adoro vocês.

Márcia Abdo Alouche